Entenda o caso dos R$ 20 bilhões e como as concorrentes da Americanas fazem uma contabilidade bem diferente
O mercado começou o dia de ontem de queixo caído e tentando entender como a Americanas (AMER3) têm, segundo estimativas superficiais, R$ 20 bilhões em inconsistências contábeis, acumuladas anos a fio. Sérgio Rial, CEO da companhia por um período relâmpago, começou o dia contando aos investidores o que encontrou, nesse breve período de nove dias em que ficou à frente da companhia. A explicação trouxe algum pânico aos mercados também para outras varejistas, como Magazine Luiza e Via. Elas começaram o pregão de ontem com quedas de 8% e quase 7%, respectivamente. Depois, a situação mudou ao longo do dia de tal forma, que Magalu (MGLU3), por exemplo, terminou o pregão sendo a maior alta do Índice Bovespa. Via (VIIA3) ainda terminou em baixa, de 5,38%. Os papéis da Americanas tiveram um tombo de 77,33%, o que tirou R$ 8,6 bilhões do valor de mercado da empresa — dos R$ 11 bilhões tinha antes de anunciar o problema.
O que separou Magalu, Via e Americanas ao longo do pregão de ontem foi a contabilidade, ou melhor, não a ciência contábil em si, mas os riscos que ela traduz. Olhar o balanço das três ajuda a entender o assunto que ferveu os miolos dos investidores ontem. E deve continuar fervendo por um bom tempo. O motivo do contágio inicial foi a explicação que as inconsistências no balanço da Americanas ocorreram na contabilização do financiamento aos fornecedores, o chamado ‘risco sacado’. Uma operação para lá de tradicional, espalhada pelo varejo, mas também usada pela indústria.