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Atas internas indicam que as perguntas certas estavam sendo feitas dentro da companhia

O caso Americanas (AMER3) já se tornou um episódio emblemático da cena corporativa brasileira. Talvez até mais do que foram os derivativos de Sadia e Aracruz. “É a Enron brasileira”, disse um advogado envolvido com os credores, mantendo o estilo duro sobre o episódio. Claro que o tamanho do problema, inconsistências da ordem de R$ 20 bilhões, poderia garantir esse status sozinho, mas não é só isso. Esse caso tem outros ineditismos: uma reação intensa e dramática dos credores, que bloquearam o caixa da empresa, e um pedido de recuperação judicial em velocidade relâmpago.

Existe uma decisão coletiva, uma perda de pudor, de chamar o episódio de fraude — e de se concluir quem já sabia — antes mesmo de qualquer investigação. É bom que se lembre e se explique que o comitê independente que fará esse trabalho começa só agora a se movimentar, a partir de sua constituição completa. Além de Otávio Yasbek na coordenação, terá Eduardo Flores, professor de contabilidade e parecerista, especialistas bastante próximo do mestre Eliseu Martins, e Vanessa Lopes, que é do conselho de administração e do comitê de auditoria. Flores entrou no lugar de Pedro Mello, que foi presidente da KPMG, uma das firmas que auditou a empresa.